Ouça esta reflexão enquanto realiza suas tarefas;
Getting your Trinity Audio player ready... |
Olá, irmão, olá, irmã! Pega uma cadeira, serve um café quentinho e chega mais perto. Hoje o nosso papo é daqueles bem vida real, com cheiro de tinta fresca, poeira de faxina e o coração transbordando daquela paz que só o Espírito Santo sabe dar no meio da tempestade.
Se você sumisse por uns dias e olhasse para a minha rotina recente, veria uma cena caótica: montanhas de caixas de papelão, fita adesiva colando nos braços, rotina com quatro filhos para equilibrar, cansaço físico e uma gripe chata querendo me pegar. Para coroar, a nossa chegada na casa nova trouxe aquela famosa “lista de surpresas” que toda mudança tem: tomadas dando estalo, sifões vazando, e um jardim enorme que, por enquanto, está um verdadeiro matagal!
Diante de tudo isso, nós tínhamos um plano: queríamos muito reformar e ajeitar o quartinho do seu Saraiva (meu sogro) logo de cara. Mas a vida real bateu na porta e nos mostrou que isso vai ter que esperar um pouquinho. A nossa prioridade absoluta precisou ser canalizada para a reforma e a pintura da casa da chácara antiga, para entregá-la impecável ao proprietário dentro do prazo.
Quem nunca passou por um momento onde parece que as demandas gritam de todos os lados e você tem que escolher qual incêndio apagar primeiro?
Mas sabe qual é o maior milagre no meio disso tudo? É ver a mão de Deus cuidando dos detalhes através das pessoas.
Nós tínhamos muito medo de como meu sogro (com Alzheimer) reagiria saindo da rotina da chácara, mas, para a nossa surpresa e alívio, ele reagiu bem a essa nova fase! E no meio do cansaço de correr para pintar a outra casa a tempo, Deus nos deu o maior presente que um ser humano pode ter: a união da nossa família. Todos se levantaram para nos ajudar. Ver as pessoas chegando bem cedo para pegar no pincel, a família se desdobrando e todo mundo unido para fazer o negócio acontecer nos fez perceber o quanto somos ricamente abençoados.
Mas eu não estaria sendo sincera com você se dissesse que tudo foram flores. No meio de todo esse turbilhão, eu vivi um dos dias mais difíceis desse processo.

O dia em que a armadura caiu: A dor da cobrança invisível
Há poucos dias, recebi uma crítica indireta sobre a minha administração com as finanças e com o supermercado da nossa casa. Aquelas palavras entraram como uma flecha no meu peito. Eu, que tenho me esforçado ao extremo, segurando tantas pontas ao mesmo tempo, desabei.
Abalou as minhas estruturas e me levou a uma crise muito forte — daquelas que batem de frente com a nossa identidade. Comecei a me questionar sobre o valor do meu trabalho em casa e a dolorosa sensação de “não estar trazendo dinheiro para dentro do lar”. É um peso invisível que muitas de nós carregamos: o mundo mede o nosso valor pelo que entra na conta bancária, mas ignora o cansaço de quem estende as roupas, cuida da alimentação, dá banho, educa, tira piolho e mantém a engrenagem da família funcionando.
As delícias da liberdade e o gosto do recomeço
Mas sabe que o que é mais lindo? Deus não nos deixa no chão. Logo após o choro, Ele me fez olhar pela janela e contemplar as delícias da liberdade que tenho experimentado desde o primeiro dia em que pisei nesta casa nova. Estar no centro, poder resolver as coisas a pé, sentir a vida pulsar por perto e ver a minha família se adaptando trouxe uma leveza que eu já não sentia há muito tempo.
É a liberdade de ir e vir, a liberdade de recomeçar em um lugar com mais acesso, e a certeza de que Deus nos tirou de um ciclo para nos colocar em um lugar de amplitude. O cansaço físico ainda está aqui nas minhas costas, as tomadas ainda precisam de conserto, mas a alma… a alma está saboreando uma liberdade preciosa que foi o próprio Senhor quem nos deu!
Foi no choro desse desabafo e no vislumbre dessa nova liberdade, olhando para as minhas limitações, que o Senhor ministrou algo muito profundo ao meu coração:
1. Deus habita no meio dos processos (e não só na linha de chegada)
A gente tem uma mania muito humana de achar que a vida com Deus só acontece quando tudo está perfeitamente limpo, organizado, consertado e elogiado. Pensamos: “Quando eu resolver as tomadas, quando ninguém mais me cobrar, quando o quartinho estiver reformado… aí sim eu vou ter paz”.
Sabe o que o Espírito Santo me sussurrou enquanto eu chorava? Que o meu valor não é determinado por palpites humanos ou pela moeda deste mundo. Ele não estava me esperando na casa pronta; Ele estava comigo no meu momento de maior fragilidade, me lembrando de que o cuidado com o meu lar é um ministério sagrado. Se você está vivendo um período de cobranças e imprevistos, entenda: Deus quer ser a sua rocha firme no meio do processo.
2. O desapego que abre espaço para o novo
Uma das coisas mais fascinantes de uma mudança é abrir caixas antigas. Olhando para coisas que eu guardava há anos (inclusive itens de madeira de uma antiga loja virtual que tive antes de as crianças nascerem), percebi que havia coisas boas que não faziam mais sentido para a nossa realidade atual. Decidi anunciar em grupos de desapego e, o que era apenas volume parado, virou dinheiro limpo no bolso e recurso novo!
Aquele dinheirinho que entrou me lembrou de que Deus provê, sim, e que a minha mente de negócios continua viva. Espiritualmente, o recomeço exige a mesma coisa de nós. Às vezes, para vivermos o novo de Deus, precisamos abrir as caixas do coração e desapegar das palavras duras que nos disseram, das velhas preocupações e dos medos. O que você precisa deixar ir embora hoje?
3. Focar no que realmente importa
Mudar dá trabalho. Olhar para as tomadas estragadas, para o mato alto e enfrentar as crises internas pode nos fazer tremer. Mas quando escolhemos colocar a nossa família em primeiro lugar, cuidando do afeto das nossas crianças, valorizando a rede de apoio que Deus nos deu e blindando o nosso lar com oração, a paz do Céu se estabelece. As tomadas a gente conserta aos poucos; o jardim a gente carpina semana que vem; as opiniões dos outros a gente entrega nas mãos do Senhor; mas o amor e a união da nossa casa são para sempre.

Vamos conversar?
Se você chegou até o final deste texto e sentiu o seu coração aquecido, saiba que você não está sozinho nessa caminhada. O Palavra Viva é a nossa sala de estar.
Deixe aqui nos comentários: Você já se sentiu desvalorizado ou cobrado no seu esforço diário? Como você lidou com isso com a ajuda de Deus?
Vamos orar uns pelos outros e seguir em frente, um dia de cada vez, porque Aquele que começou a boa obra em nós é fiel para completá-la.
Um abraço caloroso, fiquem com Deus, e até o próximo bate-papo!


