O Desafio de Amar Quando o “Eu” se Confronta com o “Outro”: Um Testemunho de Fé

Tempo de leitura: 3 minutos

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O Carnaval passou e, para mim, o feriado teve um sabor especial: o de casa cheia. Ter a família por perto, as risadas das crianças ecoando e a presença de quem amamos é, sem dúvida, uma das maiores bênçãos que Deus nos concede. É nesse ambiente de refúgio e união que renovamos nossas forças.

No entanto, em meio a essa alegria, vivi um retiro espiritual particular e intenso. Entre os momentos de comunhão com os meus, fui chamada a um exercício profundo de paciência e cuidado. O desafio não veio do movimento da casa, mas do comportamento do meu sogro — uma realidade que aflora de forma dura e, por vezes, tóxica, testando os limites do meu coração.

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O Labirinto do Cuidar

Cuidar de um idoso com Alzheimer é caminhar por um terreno incerto. Mas há um detalhe que raramente as pessoas mencionam nos manuais de cuidado: como lidar quando a doença se mistura com um temperamento que, desde antes, já era difícil?

O desafio se torna gigante quando percebemos que, naqueles breves instantes em que a sanidade parece retornar, o que aflora não é o agradecimento, mas comportamentos tóxicos e palavras que ferem. É a “lucidez” usada como ferramenta para o mal. Como, então, manter as mãos estendidas para servir?

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A Raiva e o Altar

Eu não vou dizer a vocês que é fácil. Senti raiva. Senti o peso de cuidar de alguém por quem não tenho laços de sangue e que, em muitos momentos, não facilita o próprio cuidado. A raiva, nesses casos, não é falta de fé; é o nosso senso de justiça gritando dentro do peito.

No entanto, o Evangelho nos convida a algo mais profundo. Jesus não nos pediu para amar apenas quem nos ama de volta, ou quem nos faz bem (Mateus 5:46). Ele nos chamou para o amor Ágape — aquele que decide cuidar não pelo que o outro merece, mas pelo que nós nos tornamos em Cristo.

O Que Tenho Aprendido no Silêncio da Casa Cheia:

 

  • O Cuidado como Adoração: Entendi que, ao trocar um lençol ou oferecer um prato de comida para quem me fere, não estou servindo apenas ao meu sogro. Estou entregando a Deus.

  • Limites com Compaixão: Amar não significa ser conivente com o mal. É possível cuidar com excelência e, ao mesmo tempo, proteger o coração emocionalmente, entregando as ofensas aos pés da cruz.

  • A Força da Frutificação: Às vezes, o fruto do Espírito (paciência, domínio próprio) só amadurece sob pressão. Meu “quintal” espiritual está sendo cultivado em meio a essa tempestade.

Um Convite à Reflexão

Se você também está passando por um deserto familiar, se cuida de alguém que não te deu motivos para amar, ou se lida com comportamentos difíceis dentro de casa, saiba: você não está sozinha.

O amor sem vínculos sanguíneos é, talvez, a forma mais pura de imitar a Cristo, que nos amou quando ainda éramos estranhos e difíceis. Que possamos encontrar descanso n’Aquele que renova nossas forças toda manhã, mesmo quando a casa está cheia e o coração, por vezes, cansado.

Pai, obrigada pela honra de confiar tantas vidas ao meu cuidado. Em cada desafio, agradeço a oportunidade de aprender que a Tua força se aperfeiçoa na minha fraqueza e que servir é a minha maior forma de adoração.

Gostou desse testemunho? Deixe seu comentário abaixo compartilhando como você tem exercitado o amor em situações difíceis. Vamos orar uns pelos outros!

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