Olá queridos irmãos! Entre caixas e recomeços, abri um espacinho aqui para a gente conversar. Seja muito bem-vindo ao nosso cantinho de fé!
Você já teve a sensação de que a sua vida é uma constante arrumação de malas? Seja a mala física, de quem muda de casa, ou a mala emocional, de quem precisa deixar para trás expectativas e planos que não deram certo ou mesmo as que deram certo?
Se você se sente assim, saiba: você não está sozinha (o).
Nos últimos anos, minha vida tem sido um verdadeiro exercício de ‘recalculando a rota’. Vivi o fim de um relacionamento antes mesmo do ‘sim’ e o desafio de ser mãe solo, voltando para a casa dos pais para recomeçar. Mas a estrada continuou: cursei uma nova faculdade e mergulhei na adrenalina de uma multinacional aérea.
Foi lá que conheci o Alfo. Casamos, e logo nossa família cresceu com a chegada de três lindas filhas. Mas, como todos sabemos, o céu nem sempre é de brigadeiro. Veio a pandemia e, com ela, tempestades que não esperávamos: fomos demitidos da empresa e enfrentamos a incerteza de novas trocas de emprego do Alfo. Curiosamente, aquele tempo de isolamento que assustou o mundo, para nós, foi uma estação que nos transbordou, pois tínhamos três bebês em casa que enchiam nossos dias de vida e amor. Mesmo com o desemprego batendo à porta, decidi não retornar ao mercado de trabalho externo, focando meu coração e minhas mãos no cuidado integral da nossa família. E ali, naquele ninho, experimentamos o cuidado real de Deus: nunca nos desamparou e não nos faltou absolutamente nada.
E nesse cenário de incertezas meu pai, em um gesto de amor e visão, decidiu investir. Depois de uma vida inteira dedicada ao trabalho em logística, ele tinha o sonho de iniciar um novo negócio na área, mas precisava de alguém de confiança ao seu lado. Ele usou todas as suas economias para comprar um caminhão, convidando meu esposo para essa empreitada em um ramo que ele desconhecia, mas que se tornou nossa nova fonte de sustento e esperança.
Com o início desse novo trabalho, tomamos outra decisão importante: mudar para o interior. Fomos morar em uma chácara, em uma casa pequena, mas muito aconchegante para aquele momento. Ali, encontramos um ambiente saudável e maravilhoso, onde nossas crianças puderam correr e crescer em contato com a natureza. Foi o refúgio perfeito para aquela estação.

Hoje, percebemos que é hora de mudar novamente. O Pedro, agora com 14 anos, precisa do seu próprio espaço, assim como as meninas que não param de crescer. Meu sogro necessita de um ambiente que atenda às suas limitações e nós, como família, precisamos da praticidade de estar mais próximos da cidade, do comércio e da vida que pulsa no centro. É hora de sair da paz do campo para abraçar a funcionalidade de um novo lar.
Agora, estamos a poucos dias de mais uma mudança física: sair da chácara para o centro da cidade. E, entre uma caixa e outra, parei para refletir: por que a mudança nos assusta tanto, mesmo quando sabemos que ela é necessária?

O Caos que Antecede a Ordem
A mudança mais profunda não é a que acontece nas paredes da casa, e sim a que mexe nas nossas prioridades. Quando a vida nos apresenta surpresas que não estavam em nosso planejamento — como a chegada de uma doença na família ou uma reviravolta financeira — somos convidados a mudar de perspectiva.
Às vezes, passamos a vida focados em ‘ter’ ou ‘conquistar’, mas Deus usa essas estações para nos ensinar o valor do ‘ser’ e do ‘cuidar’. Mudar de perspectiva é entender que o que antes parecia um peso, na verdade, é uma oportunidade de servir. É olhar para as nossas limitações atuais não como um muro, mas como um novo horizonte que Deus está nos chamando para explorar. Nossas prioridades mudam porque o nosso coração amadurece; passamos a valorizar o tempo à mesa, o cuidado com os nossos e a paz de um lar que, mesmo pequeno ou em meio ao caos das caixas, transborda o amor que o dinheiro não compra.
Na Bíblia, vemos que Deus raramente mantém Seus escolhidos no mesmo lugar por muito tempo. Ele disse a Abraão: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1). Note que Deus não deu o mapa completo, Ele deu apenas o próximo passo.
Mudar exige sair da zona de conforto — que muitas vezes já nem está tão confortável assim, mas é o que conhecemos. O medo do desconhecido é real, mas o crescimento só acontece fora do ninho.

Quando o “Não” de Deus é um “Sim” para o Novo
Eu fui demitida, os planos mudaram, e o que parecia um retrocesso foi, na verdade, o solo onde novos sonhos começaram a brotar. Foi nesse intervalo da vida que este blog nasceu e que as primeiras páginas do meu livro começaram a ganhar forma. Hoje, olho para trás e vejo que cada porta fechada era Deus me conduzindo para um caminho que eu não teria coragem de trilhar sozinha. E o mais lindo de tudo é saber que a jornada não para aqui: quem sabe em que novos caminhos Ele ainda deseja nos colocar? Onde nós vemos um fim, Deus muitas vezes está apenas desenhando o próximo recomeço.
Às vezes, a mudança que nos é imposta — como uma demissão ou uma doença na família ou alguma outra ruptura — parece um deserto. Mas é no deserto que aprendemos que o Maná de Deus é diário. Em Isaías 43:19, Ele nos consola: “Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo.”
Maturidade se Conquista no Caminho
A necessidade de nos mudarmos para uma casa maior e mais central não é apenas uma questão de logística; é uma resposta à maturidade. As crianças cresceram, nossas responsabilidades com meu sogro aumentaram, e nós mudamos por dentro.
Mudar é preciso porque a vida é movimento. Se as águas param, elas perdem a vida. Se a gente não muda, a gente não amadurece. Quando olho para trás, percebo que aquela Elaine que caminhava pelos hangares e escritórios nos aeroportos há anos atrás, com outros focos e metas, aquela Elaine jamais teria a força e a paciência que a de hoje possui. Foi o ‘recalculando a rota’ de Deus que tem me forjado para cuidar de uma casa cheia, gerir os desafios da maternidade e oferecer o zelo necessário a um idoso que hoje depende de cuidados diários. Deus não nos dá apenas novos endereços; Ele nos dá novos corações, preparados para as batalhas e as belezas de cada nova estação.

Um Convite para Você
Talvez você também esteja vivendo um momento de transição. Pode ser uma mudança de casa, de emprego, ou até uma mudança de estação no seu coração. O meu conselho? Vá com medo, mas vá com fé.
No início, parece que nada vai se encaixar. Mas, acredite, Deus é o mestre da organização. Ele usa o caos para forjar em nós um caráter mais parecido com o de Cristo. Não se engane: a semeadura de hoje é o solo onde amanhã florescerá o seu maior testemunho. Estamos alicerçados Naquele que faz infinitamente mais! O que agora parece renúncia, logo será visto como o degrau necessário para uma fase tão maravilhosa que fará cada lágrima do caminho valer a pena.
Lembre-se da ordem que o Senhor deu a Josué quando ele enfrentava o desconhecido: ‘Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar’ (Josué 1:9).
Se Ele prometeu estar conosco no campo, Ele também estará conosco no centro, no novo projeto ou no silêncio do cuidado diário. A nossa força não vem de termos todas as respostas, mas de sabermos Quem segura a nossa mão em cada novo passo.
E você? Qual mudança Deus tem pedido para você enfrentar hoje?
Vamos conversar nos comentários! Lembre-se: o barco pode balançar, mas Jesus está no leme.



